sábado, dezembro 31, 2011

Dor com data marcada

As datas ainda doem
Os dias ainda deixam marcas irreversíveis
Não conseguir reverter esse quadro beira o desespero
De algo
Que parece nunca chegar ao fim
A sua solidão.
A tempestade batia a porta insistindo para entrar
Dentro de si
Batia um coração desesperado querendo apenas 
Ficar só.
As horas passaram levando consigo
Mais um gole de lágrimas
Mais caquinhos de um coração pequenino. 
Mais uma data.

domingo, dezembro 18, 2011

Nossa Dança

Te segurei entre os meus dedos tomando total domínio sobre a sua pele pálida. O lado negro que saia da sua boca quente e macia me fazia estremecer. Te puxei para dentro de mim, e por vezes seguidas te aprisionei.

Toquei a sua pele mais uma vez. Você se acolheu em mim, desta vez com mais força. Como forma de retribuir, você dançou com o vento, enquanto eu te olhava, embaraçava meus dedos no seu compasso e sorria.

Como um véu delicado o seu cheiro foi ficando em mim, impregnando-se, nos cabelos, na pele, na boca.
Te trouxe mais perto, e já no fim da nossa dança, você se apagou.
Mais um cigarro,

sábado, dezembro 17, 2011

Making of

A noite cálida e estrelada ilustrava a historia que iniciaria do fim, de finalidade. 
Incertezas sufocavam dentro de si, empurrando para um precipício. 
Tudo mostrava-se inanimado, mas carregado de cores e sons, apenas sem movimento.
Na sua mente rondavam fotografias de cenas que fizeram da sua vida uma paisagem manchada e desforme.
Tentou erguer a cabeça na tentativa de não pensar, mas falhou. 
Retrocedeu aos fantasmas que a puxavam para o abismo, criado por suas próprias mãos. 
Sua consciência cobrava-lhe satisfações de algo que por anos encontrava-se adormecido. 
A sangue frio, pulso e tristeza, machucou-se, dilacerou-se, violou-se, transpassou-se. 
Abriu em si uma ferida incurável, sem nome, sem volta. 
Todos os sofrimentos trazidos ao longo do (seu) tempo, foram concentrados ali. 
Doíam, latejavam, amaldiçoavam, negavam a si mesmos. 
Seu corpo apodrecia na medida em que respirava, buscando algum fôlego de vida. 
Era fétido viver. 
Enganou-se ao buscar-se em outras almas. Tentou ver, mas cegou-se com farpas que atingiram seus olhos num furtivo movimento de vingança. 
A dor cheirava a flores do campo, o medo tinha gosto doce e beirava o sabor da solidão. 
Com as mãos trêmulas, desejou apagar-se, ou simplesmente evaporar. 
As mesmas mãos que deram vida, necessitavam retroceder ao papel amassado, no lixo. 
  

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Só, de Solidão

As horas se arrastavam num movimento infernal. O silêncio tornou-se ruído. A gota d'agua jorrava da pia. Os passos pareciam estar mais perto a cada segundo, mas nunca chegavam. 
Sentou-se na velha poltrona da sala de estar, e esperou. Foi até a cozinha, pegou mais uma caneca de café fresco e voltou para acolher-se na poltrona. O vazio a preenchia, como de costume. Sozinha, sombria, enigmática, perturbada, confusa, medrosa, gélida. O silêncio da noite fria a convidava para dançar. Abriu os braços e entregou-se. A brisa a flor da pele, os cabelos misturavam-se com o vento num compasso incomum. O café, agora já gelado, assistia enciumado àquela dança. Colocou os pés no chão, abriu os olhos, percebeu que pegara no sono. A solidão voltou a abraçar-lhe novamente.