terça-feira, novembro 01, 2011

Cinzas de Palavras

Lembro do dia em que escrevi pela primeira vez com caneta. Era um dia qualquer, até chegar o momento em que a professora fez a enorme surpresa de permitir que a turma tirasse suas canetinhas do estojo e começasse a treinar os primeiro traços com a maldita caneta azul. Preferi ficar apenas observando, inundada de um olhar desconfiado para aquela bendita caneta. A minha ligação com o lápis não poderia acabar daquela maneira. O cinza no papel é tão bonito. Apago e escrevo, sem rastros. As palavras tornam-se mais valiosas quando correm risco... de serem apagadas, por exemplo. Eu, fielmente permaneci audaciosa e não me deixei vencer por uma canetinha que chegou toda-toda, querendo subitamente tomar o lugar das minhas palavras acinzentadas. Cresci e ainda permaneço insistente, com os tons cinzas das minhas palavras, escritas a punho e, por algumas vezes, acidentalmente digitadas. Mas permaneço firme. Eu, papeis e cinzas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário