sábado, novembro 26, 2011

About a Girl

Brevemente encontrou-se perdida num pensamento absorto sobre o seu real significado nas vidas alheias. Ser para os outros nunca lhe incomodou. Não sabia administrar suas sensações, seus sentimentos, suas atitudes. Nunca soube conter-se quando sentia. Fazia, simplesmente. Compulsiva, incontrolável, dissimulada. Viviam avisando-o para ser cuidadosa, contida e coerente. Nunca se interessou. Não pule, não corra, espere, não chore, você vai se machucar. Ela nunca deu ouvidos. Aprendeu a levantar-se depois de um tombo, enxugar as lágrimas depois de um choro e beber agua para acalmar os soluços. Aprendeu, vivendo. Observadora, atenciosa, desconfiada. Acostumou-se a solidão. Aprendeu com o silencio que e preciso ouvir o que tem a ser dito. Mas ignorava quando a corrigiam ou lhe davam sermões. O seu nariz não era em , mas ela era brava. Não fazia um pingo de questão de possuir a inteligencia decorativa. Queria saber porque os passarinhos cantavam, se morava alguém na Lua, se olhar para o Sol cegava, se as pessoas a viam quando ela acenava para um avião nas alturas. Ela queria saber andar de bicicleta, nadar em alto mar como seu pai, estalar os dedos como sua mãe, ter uma letra tão bonita como a de sua irmã. Queria saber escrever bonitinho como as outras meninas da turma, queria ser compreendida quando falava de algum livro, filme, musica com seus colegas da mesma idade. Queria possuir essa sabedoria. Queria que a noite fosse mais longa do que o dia para ela poder viver mais com seu silencio noturno enquanto sussurrava segredos para as estrelas. Ela queria crescer depressa para poder caminhar sem hora para voltar. Seus olhos carregavam sinceridade, assim como suas palavras. Viver para ela consistia em fazer feliz. Sua felicidade não importava. Sua missão era cultivar sorrisos e fazer notar-se a beleza do imaterial. Sonhava acordada, falava sozinha, sorria. Ser começou a lhe pesar quando notou que as pessoas não queriam dela a felicidade. Ser começou a pesar-lhe quando abruptamente enxergou a realidade. 

terça-feira, novembro 01, 2011

Cinzas de Palavras

Lembro do dia em que escrevi pela primeira vez com caneta. Era um dia qualquer, até chegar o momento em que a professora fez a enorme surpresa de permitir que a turma tirasse suas canetinhas do estojo e começasse a treinar os primeiro traços com a maldita caneta azul. Preferi ficar apenas observando, inundada de um olhar desconfiado para aquela bendita caneta. A minha ligação com o lápis não poderia acabar daquela maneira. O cinza no papel é tão bonito. Apago e escrevo, sem rastros. As palavras tornam-se mais valiosas quando correm risco... de serem apagadas, por exemplo. Eu, fielmente permaneci audaciosa e não me deixei vencer por uma canetinha que chegou toda-toda, querendo subitamente tomar o lugar das minhas palavras acinzentadas. Cresci e ainda permaneço insistente, com os tons cinzas das minhas palavras, escritas a punho e, por algumas vezes, acidentalmente digitadas. Mas permaneço firme. Eu, papeis e cinzas.