quarta-feira, outubro 19, 2011

A Menina e o Balão I

Era uma menina com seu balão
Ambos viviam nas alturas
Um a um, balão e menina
Era um amor possível
A menina o preenchia com sua meninisse
O balão a presenteava com o céu. 

sábado, outubro 15, 2011

Vagas palavras

Cartas que transbordam de sentimentos incontidos por um coração revolto. 
Uma esperança de acalentamento.
Perdida, abrindo mão de reencontrar-se nas margens da hipócrita felicidade inconstante. 
Silencia-se.
Trôpega, pisando em falso nos clichês de moralidades impostos à uma moça. 
Ainda sendo, diverte-se com essas tais barreiras de exílio falsificado.
Plena.



terça-feira, outubro 11, 2011

Seu Moço do Lacinho

- Olá seu moço! Enquanto caminhava, um vento forte veio ao meu encontro e levou consigo o meu lacinho. O senhor o viu?
- Lacinho?! Ora bolas, onde já se viu, eu, homem com bigodes, haverei de preocupar-me com "lacinho" que foge da dona!
- Calma seu moço, o meu lacinho não faz mal a ninguém. Seu único trabalho é embelezar-me. Veja só o seu bigode, creio que faz-lhe favor semelhante. 
- Sim menina, o meu bigode faz a gentileza de disfarçar-me. Mas tu, que és uma garotinha tão graciosa, não há de precisar que um fitilho envolto nos cabelos adicione-lhe boniteza e cause-lhe preocupação. 
- Obrigada por graciosas palavras em relação a mim. Confesso seu moço que mamãe vive a alertar-me por possuir suposta beleza. *Dizem por aí que o belo afeta a alma das pessoas... Fico tão intrigada com isso, eu sempre me apaixono pela alma das pessoas. O externo sempre me engana.*
- Menininha, confesso que me perdi ao tentar ver sua alma. As suas palavras soam como graciosas farpas. Os seus olhos te revelam, também.
- Ora, não senhor! Não tens o direito de tirar um pedacinho dos meus olhos! Devolva-me! Meus olhos nada revelam-te, estás enganado... E a propósito, é feio espiar. Pare de olhar-me tentando ver-me!
- Desculpe-me menina, pensei que tivesse o direito de descobrir-te também, assim como você fez ao olhar-me e invadir-me com tua assustadora graciosidade... Ah sim! O seu lacinho esbarrou-se em mim e disse-me que era pequenino demais para envolver-te, então se foi.
- Ora seu moço, mas eu sou apenas uma menina!