terça-feira, agosto 23, 2011

Um dia novo

Na noite anterior decidi que a manhã que nascesse no dia seguinte seria diferente. Desliguei o celular da maneira mais definitiva possível: tirei a bateria e o deixei oco, completamente sem vida. Amanheceu, preguiçosamente inventei uma desculpa barata para não ir ao colégio e, fazendo esforço para não me importar com as consequência disso, voltei a dormir. Longos minutos depois, finalmente acordei, de uma vez por todas. Algumas horas após, resolvi ir ao encontro da minha caneca favorita, que até então encontra-se morta por um acidente equivocado da minha distração. Mas como eu já estava cansada de choramingar pela caneca quebrada, na esperança de encontrar uma exatamente igual, fui até a loja em que tinha comprado a minha caneca predileta, e eis que aconteceu o que eu previa: não tinha outra igual. Que aperto no coração eu senti, ela era realmente uma caneca especial. Obstinada, caminhei um pouco mais, entrei em algumas lojas e quase desistindo da procura por uma caneca singular... Achei a mais charmosa de todas! Tenho plena certeza de que ela estava lá somente para me seduzir, de tal maneira que me fizesse destinar o meu olhar inteiramente para ela, sem dar a mínima para as outras tantas que estavam ao seu redor. Ela conseguiu com êxito. Sem pestanejar, paguei e levei para casa a minha mais nova paixão e objeto de ciúmes. Bem, em breve postarei aqui uma foto da minha companheira de cafés. Sim, sim, definitivamente detesto chás. Enfim, passei a tarde inteirinha na companhia da minha charmosa e sedutora caneca, estudando e lendo. A noite chegou e fui para o maldito cursinho, até então. Como toda e boa novata, fui sentando no cantinho, caprichando na arte de ser imperceptível e silenciosa. De repente, a professora de Língua Portuguesa entra na sala e em alto e bom som me chama pelo nome. Era a minha ex-professora do fundamental. Maldita, maldita, maldita, me fazia ter dias de reviravolta e frio na barriga por consequência de suas aulas, quando eu simplesmente tinha medo de errar alguma pergunta sobre determinado assunto e provocar nela um desdém típico de tal. Com o coração aos pulos de nervosismo, acenei a contragosto e voltei para o mundo recém-construído no meu mais novo lugarejo. As horas passaram e já chegara o momento de voltar casa. A noite fria e silenciosa fez com que as pessoas se recolhessem mais cedo em suas casas quentinhas. Por um momento morri de inveja delas. Eu ainda tinha alguns muitos minutos para chegar até a minha casa. Entrei no ônibus, e como se fosse uma completa estranha, fui recebida por olhares inquisitivos. Achando aquilo esquisito, sentei em um lugar qualquer e observei aquelas pessoas. Eram todos bons amigos. A estranha ali era eu, somente. Aquelas pessoas eram apenas bons amigos que ao final de um dia árduo de trabalho, aproveitavam o humilde aconchego do ônibus para trocar algumas palavras e sorrisos, com o cansaço inevitável estampado em seus olhos. E eu estava ali, uma estranha que sentou-se numa cadeira aleatória observando pela janela o frio da noite levar consigo mais um dia. 

A playlist escolhida para essas palavras foi: Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain ~ Soundtrack, 2001

quarta-feira, agosto 17, 2011

Sidarta

Por alguns dias me permite esquecer de ti, querido blog. Peço humildemente desculpas aos meus leitores fieis, ao meu querido blog por tamanho descaso, e a cafeína, que além de nomear este blog e propiciar-me inspiração, é a total responsável pelas minhas palavras. Salve a Dona Cafeína!
Estava evitando a escrita por motivos de saúde mental, espiritual e física. Escrever exige força, e, apesar de bem jovem, o meu potinho de espinafre está acabando. Acordei tão cinza. Mais cinza do que as palavras que escrevi no meu bloquinho de notas pela manhã. Palavras secas e vazias. Sem pé nem cabeça. Acho -  vou avisando de antemão que a certeza não tem nenhum valor nesse texto -  que ouvi demais ao meu respeito, tanto que vomitei-me. Acho que causei-me tamanho reboliço que não suportei mais me carregar, então vomitei-me. Cansei. (Pausa, a playlist começou a tocar 'Mr. Tambourine Man'). Onde eu estava? Ah sim, na parte em que eu conto o que já deveria ter feito a muito tempo: cansar-me e refazer-me. Sabe aquele conto batidíssmo que professores contam na escola para dar uma injeção de ânimo nos alunos? Sim, aquele da águia que subiu no topo do monte para refazer-se. É um belo conto, devo admitir, mas não foi bem nele que pude tomar injeções de conclusões e auto-reflexão. As tomei com um dos personagens mais maravilhosos que já conheci nas linhas de um livro, um belo e mágico livro, por sinal. O nome desse fantástico personagem é Sidarta, que busca tão somente o encontro de si mesmo. O Átman.  (Pausa, a saudade visitou-me). Sidarta conseguiu ocupar todo o espaço entre meus livros de cabeceira. Preciso de injeções de Sidarta para começar o dia. Esse livro tem um significado especial, tão especial que tenho certeza que serei injusta se ousar descrevê-lo ou quantificar o seu valor para mim. Sempre preocupei-me com a relação possessiva que os livros poderiam causar-me, mas confesso que nunca temi, pelo contrário: eu queria absorvê-los por inteiro. Pode ser uma relação louca e afins, mas o que seria desse mundo vil sem as anormalidades? Pois então eu escolho gastar minutos da minha vida escrevendo e me preenchendo de cafeína enquanto meu coração pulsa acelerado por estar produzindo palavras, de loucuras ou sanidades sobre um livro.                                                                    "Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio". 


Anjinha, obrigada pelo livro. 

sexta-feira, agosto 12, 2011

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domingo, agosto 07, 2011

Escrito de Promessas

Te escrevi no meu silêncio para você não precisar.
Nunca mais me abandonar.
Eu e o silêncio somos um só, então não te deixaremos.
Prometemos, entre soluços e pensamentos.
Que a nossa vida caberia numa casinha no campo.
Eu com meu tucano e você com seu toque manso.
Eu com minhas estranhas manias e você com toda sabedoria.
De me entender, de me abraçar, de ser comigo. Um só.
Te dei minhas mãozinhas e de tão pequeninhas você as aconchegou.
Prometemos, como duas crianças que fazem juras de amizade eterna,
Que a nossa vida na casinha de campo seria para sempre.
E que as sementinhas que plantamos em nossas vidas.
Cresceriam e delas brotaria a mais linda flor.
Ela seria metade seu toque manso.
E a outra metade o meu encanto.
Talvez sejamos tão frágeis à nós mesmos
Que prometemos entregar ao silêncio a nossa florzinha.
Então não nos deixaremos, prometemos e escrevemos
Nas linhas avulsas das nossas vidas.
Me reescrevi no meu silêncio para não precisar.
Nunca mais me abandonar.

terça-feira, agosto 02, 2011

Achados.

A fusão obscura entre o desejo e o senso, bom senso talvez, em que me perdi. Acho - já que não tenho mais certeza de nada - que me permiti estar perdida. Sinto falta de mim. Um dia acordei menina, preocupada com os meus cabelos desarrumados, e num outro dia acordei uma outra menina; preocupada com o potencial de malefícios que podia causar à si. Acho que estou crescendo. Percebi que minhas palavras estão maiores que minhas mãos e também não cabem mais na gaveta da escrivaninha. Acho que estou crescendo com elas. Lembro que antigamente as minhas palavrinhas de socorro eram escritas entre soluços e temperadas com gotículas de lágrimas incontidas. É bem verdade que sou uma descontrolada com as lágrimas. Talvez eu tenha aprendido que chorar faz bem, e tenha acreditado fielmente. Então eu choro. Sem vergonha, choro. Ultimamente minhas palavrinhas não são mais escritas entre soluços desesperados, mas sim entre uma bagunça desenfreada. Sou uma confusão. Sou um reboliço de palavras. Não tenho certeza se sou o que dizem que sou. Acho que escolhi ser menina, palavras, ventania, estações, cor, ações, e paixões. Acho. Somente, acho.