quarta-feira, junho 29, 2011

Palavras

Palavras se acumularam na minha garganta. Um enorme nó se formou me impedindo de respirar. Tentei de todas as maneiras fazer com que aquela terrível sensação saísse de mim o mais depressa possível. Com alguns copos d'água, tentei fazer com que as palavras voltassem para o meu organismo. Não adiantou, eram palavras teimosas. Continuaram empatando a minha respiração. Cada minuto que passava eu me encontrava mais debilitada. Tentei cuspir as tais palavras, mas além de teimosas, eram palavras pesadas, imponentes. Grandes palavras. A minha aflição só aumentava. Sem ninguém por perto, só eu e aquelas palavras, lutávamos uma contra a outra para conseguir a vitória. Um fôlego de vida apenas.  Fui persistente, não deixei que elas crescessem dentro de mim. Já de joelhos no chão e com as mãos pressionando a garganta forçando um vômito literal, fui cuspindo as palavras uma a uma. Fui tomada por uma série de vertigens. Assustei-me com tamanho poder que aquelas palavras causaram no meu ser, no meu corpo, chegando ao ponto de debilitado. Quase o desfalecendo. Senti pena de mim. Sei que fui a criadora de todas aquelas palavras dentro do meu eu. A culpa foi minha de tentar aprisioná-las, acumulando algo que eu não sabia usar. Com o tempo as palavras foram criando forças e traçaram um cominho que levava para o mundo que eu tanto temia que elas conhecessem, cujo lugar  eu as colhi. As palavras se cansaram de mim. Perceberam quão oca eu era. Elas precisavam se colorir. Unir-se a outras palavras, formando harmoniosas composições. Talvez poeminhas, carta de casais apaixonados, belos livros ou estrofes de uma canção. Elas sabiam que dentro de mim a escuridão do meu eu as impediriam. Então as vomitei. 


domingo, junho 26, 2011

Aleatória.

Aquilo que chamo de conciência, que me dá inocência.
Aquilo que guardo no peito, para cima e para baixo.
Vestida, descalça, nua. Que seja.
Tem que fazer parte, tem que ser em partes.
Me fazer tranquila, poesia, flor, ardor.
Ar. Dor.
Olhos que se fecham, encontram-se, deliram-se.
Aquilo que me dá vertigens, de medo, de prazer, de não saber.
O não saber, quem quer saber?
Prefiro-o. 
Vestida, descalça, nua. Que seja.
Aquilo que me aquieta, uma soneca,  migalhas de solidão.
Me faz menina, egoísta, de orgulhos e palavras.
Palavrões e palavrinhas.
Isso, aquilo,  alí.
Qualquer sussurro que me envolva.
Até o último fio de cabelo em pé.
Cenas de aquarela, sem tons de cinza, sem sujeito.  Só ela.
Aquilo que dá ânimo, preenche, e sente.
Ali, aqui, acolá. 
Sou um eu assim: aleatória.