sexta-feira, maio 27, 2011

Divagar

Desloquei-me da confusão que reunia uma multidão de adeptos à desgraça alheia. Enquanto caminhava, alguém gritou meu nome perguntando aonde eu ia. Dei de ombros e apenas respondi em tom seco e sucinto: "alí".
É no meu "alí" que esqueço do tempo, refaço-me na solidão entre as palavras e gostos. Saio da multidão que me enclausura, sufoca, exige. Me canso. Grito. Xingo. Até quando?


eu com meus "alís" 
"Quando já não tinha espaço pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer acomodei
Minha dança os meus traços de chuva
E o que é estar em paz?"      Luís Kiari

terça-feira, maio 24, 2011

Ao Bob Dylan

Hoje é um dos dias que eu fico toda boba comemorando;  é o aniversário do Bob Dylan <3 (insira gritos e pulos de alegria aqui). Pois é, esse moço simpático de voz singular, me encanta há pouco mais de 4 anos. Foi paixão nas primeiras notas musicais. A verdade é que a minha felicidade por ele estar completando mais um ano de vida vai muito além do que uma histeria de uma fã. O Bob Dylan conquistou a minha admiração com a pureza e o grito de "até quando?" contido em suas canções, era o tempo cuja indústria fonográfica não respirava grandes sucessos melodramáticos. Ah como eu gostaria de viver naquela época! Sendo um dos cantores insubstituível na trilha sonora da minha vida, o Dylan hoje merece este post, neste singelo blog louco por sua autenticidade. Hey Mr Tambourine Man, muitos anos de vida! 



May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young  




Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.


So don't think twice, it's all right





quinta-feira, maio 19, 2011

Terceira Pessoa, Café e Chuva

Perdi a conta de quantas vezes subi e desci as escadas, andei por toda a casa, entre canecas de café e o frio na pele. Simplesmente não sei explicar, quantificar, expor, desenhar, falar o que você plantou em mim. Só escrevo. Perdoe a minha falta de criatividade, ela fugiu do meu domínio há dias. Perdi o sono também. Esse é um rebelde, não me obedece e faz pouco caso da minha necessidade em tê-lo. Faz visitas breves e logo se vai. Na verdade, acho que o nosso desgosto tornou-se mútuo. Que seja. 
Não sei falar de amor. Malmente sei cuidar de mim, quem dirá o que farei com sentimentos de alguém em minhas mãos. As palavras se embaraçam em minha garganta. Preciso vomitá-las ou sucumbirei. Então escrevo. Minha vida está abarrotada de páginas escritas sobre você, sobre alguém, sobre nós, sobre mim. A cada dia crio mais páginas, algumas me tiram o sono, outras rasgo e amasso. É a unica maneira que encontrei de esquecer. Mas por muitas vezes me encontrei revirando os papeis amassados para tentar resgatar algumas páginas. Algumas valiam a pena, outras voltaram pro lixo novamente. 
Egoísta, deixei, mais uma vez, a nossa verossimilhança esvair pelo ralo. 
Quero um dia poder quebrar esse escafandro que construí. Quero deixar sair a borboleta que nasceu trancafiada dentro dele. Prometo. 

segunda-feira, maio 16, 2011

Breve observação:

O amor é ainda insuficiência pois 
ele deseja qualquer coisa que não tem 
e ele deseja essa coisa porque 
ele precisa dessa coisa 
e se ele precisa de algo 
é porque ele é imperfeito.
       Sr. Platão. 



segunda-feira, maio 09, 2011

A Culpa é Toda Sua


Preciso me controlar.
Quero ser o seu benzinho a qualquer custo.
A culpa é completamente sua! Repito.
É o seu ser que me dilacera o juízo.
Extasia-me. Toma-me, e faz, e acontece. 
Só falta eu comer-te com os olhos!
A culpa é toda sua! Admita
Quieta-me. Deixa-me ser possuidora dos seus sonhos. 
Dos teus suspiros de prazer e euforia.
Prometo-te o meu eu fielmente.
Quero ser nós! Será que não entende?
Quero a te conjugar-me a via inteira. Mais que perfeitamente. 
Dê-me um sinal! 
Diga sim com o seu corpo feito simetricamente para mim. 
E assim, a culpa será nossa. 

domingo, maio 08, 2011

Vive, observa, descreve


Seus olhos eram inquisitivos e doces, tinha cabelos negros, pele clara e certezas. Sempre foi muito sozinha, mas sua imaginação nunca abandonou-a. Juntas eram princesas, heroínas, guardiãs e também vilãs, por que não?  Em seu diário ela anotava todos os sentimentos novos que lhe ocorriam. Não permitia que nenhum passasse despercebido. Escrevia observações para cada um deles.
Em letras enfáticas,  escreveu o seguinte para aquele sentimento que chamou de amor: MUITO CUIDADO, SEUS EFEITOS PODEM SER DANOSOS. Já o que  denominou de medo, foi apenas observado como "algo passageiro". 
Sentia-se pronta para recebê-los novamente. Os anos tinham passado, ela mudara, seu mundo tornou-se outro. Há tempos que não conseguia escrever sobre os sentimentos que descobria. Ficava aturdida com os julgamentos que a sociedade fazia sobre o amor, o medo, a liberdade e todas aquelas outras palavras que significam tanto para o seres-humanos. 
Simplesmente não entendia o porque de opinarem em seus atos, uma vez que essas pessoas eram como ela; humanos vulneráveis. 
Toda essa balbúrdia deixavam-a gradativamente indiferente. O ato de sentir passou à desnecessário. Talvez tenha sido contaminada pela sociedade que repugnava, ou exausta, tenha desistido.