sexta-feira, março 04, 2011

Caso Mal Resolvido

Gosto do Silêncio;
O jeito dele interessa-me muito. Faz o tipo caladão, capricha tanto neste papel que as vezes a minha imaginação entrega-se à ele de corpo e alma. 
Tentei diversas formas de manter um diálogo entre nós, mas, como sempre, ele me ignora. O único resultado que tenho são os sons das minhas palavras espalhadas, dissipando-se ao vento.
Ele, o Sr Silêncio, não importa-se, dá de ombros e continua com seus afazeres; observa-me, transmite um olhar de interrogação e datilografa na sua velha máquina. Mata-me de curiosidade, afinal, o que ele tanto tem a escrever ao meu respeito? Deve depreciar-me a cada parágrafo. 
Quando descubro seus olhos em mim, é como se ele conhecesse a  minha alma, e tivesse o poder de agir sobre ela. O pior é que isso me deixa fascinada. Como ele consegue?! Se ao menos permitisse que seus lábios produzissem algum fonema impedindo as minhas palavras de vaguear.
Nunca me responde, apenas sinto o poder dos seus braços ao envolver-me, fazendo a sua alma gélida unir-se a minha... mais uma vez. 

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