domingo, março 27, 2011

Hoje


Todas aquelas palavras que você costumava me dizer com um sorriso
Hoje
Tornaram-se apenas borrões escritos. 
Nada que possamos reconstruir como era fielmente
Hoje
Um abismo separou nossas almas e corpos.
Todas aquelas promessas
Tornaram-se apenas gotas de chuva 
Que a vida tratou de levar.

sexta-feira, março 25, 2011

Favorito #2

A música: Quase Sem Querer
A cantora: Maria Gadú  (a versão original é da Legião Urbana)
E por que? A cada estrofe eu consegui encontrar o que senti, e estou sentindo ultimamente. Fico horas com o papo pra cima, deitada na minha cama, sozinha. Apenas eu, essa música, e meus milhões de sonhos. Assim mesmo, quase sem querer. 


Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer

Que eu quero o mesmo que você.


quinta-feira, março 17, 2011

Dependência.

Tenho medo.
Medo de você esfriar.                        
De te ver partir e chorar. 
Medo de não sentir o calor do seu hálito aquecendo o céu da minha boca.
Tenho medo das linhas da sua mão não se encontrarem com a minha. 
Medo do seu corpo sentir alergia do meu.           
Do seu cheiro pertencer a outra pessoa.
Tenho medo de fechar os olhos e não possuir você como primeiro pensamento.
Tenho medo.
De olhar no espelho e sentir-me oca. Desalmada. Putrefata.
Medo das minhas veias secarem, por que é você quem me aquece.
Tenho medo que o meu coração torne-se pedra.
Medo de que alguém o quebre com as mãos.
E que você não esteja aqui. 
Sendo nós. Completos.
Morro de medo. 


quarta-feira, março 16, 2011

11:45, Um Garotinho

Sentada no banco do ônibus rotineiro, perco-me em meus pensamentos, olhando distraídamente o mundo que passa em vultos através da janela. E então, o ônibus pára e entram dois passageiros, um garotinho aparentando ter 5 anos de idade, entra ansioso e espera na borboleta por sua avó, que sobe os degraus do veículo com a certa dificuldade que enfrenta uma senhora de 60 anos. Ela paga as passagens, e o menino apressado, de repente segura-se no apoio de braço da cadeira em que estou sentada, e ele então me transmite um olhar insatisfeito, com uma expressão retorcida no rosto, formando um quase bico. Fico sem entender o porque e, sugiro que ele sente-se na cadeira vazia a frente, e ele diz; "não, vou deixar para a minha avó sentar nessa". Tudo bem, entendo a gentileza e tamanha preocupação do garotinho para com a sua avó. Continuo olhando os vultos que passam através da janela... E não é que o menino ainda permanece segurando o apoio da cadeira e olhando-me como se eu estivesse roubado algum dos seus bonecos Max Steel! Pouco sem jeito, ajeito-me na cadeira e respiro satisfeita por meu ponto ter chegado. Quando então levanto do acento para descer do ônibus, o garoto, abruptamente senta na minha ex-cadeira e abre um largo sorriso no rosto. 
- Olha vovó, posso ver tudinho aqui da cadeira alta!!
Eu ri. Instantâneamente lembrei da minha infância, quando por inúmeras vezes eu barganhei com a minha irmã para que me deixasse sentar na "cadeira alta" ou "na janela". 




sábado, março 12, 2011

Bem.

Faz de conta que tudo que ela tinha não era de faz de conta.
                                                 Clarice Lispector

Hoje acordei com sede de ser feliz.
O necessidade de ser estava a me consumir a noite inteira
Entre sonhos e lembranças.
Faziam-me acreditar que ao amanhecer
Tudo estaria bem. Devidamente.
Eu acreditei, e agora com toda essa felicidade em mãos
Deixa-me ser então. 


quarta-feira, março 09, 2011

Adormecida

Os vermes brotavam da terra e devoravam o seu corpo nu, como um dos mais deliciosos banquetes.
Não queriam saber o motivo que levou aquela jovem a degolar-se.
Eles queriam apenas sentir o sabor da sua carne, macia, perfumada e mórbida.
Satisfazer-se e irem embora. Somente.


Sing me to sleep
And then leave me alone
Don't try to wake me in the morning
'Cause I will be gone
Don't feel bad for me
I want you to know
Deep in the cell of my heart
I will feel so glad to go

Sing to me
I don't want to wake up
On my own anymore
Don't feel bad for me
I want you to know
Deep in the cell of my heart
I really want to go

There is another world
There is a better world
Well, there must be
Bye bye.


The Smiths - Asleep

domingo, março 06, 2011

Favorito #1

Então, matutando com meus botões, resolvi fazer alguns posts sobre coisas que tornam-se favoritas para mim. Isso pode ir além de filmes, livros, seriados ou chocolates. Veremos  haha 
Estarei fazendo isso semanalmente, e para começar, vamos de filme: 

O filme: Nome Próprio
A atriz: Leandra Leal
E por que? O filme é baseado numa escritora chamada Clara Averbuck, blogueira e coisa e tal. A Leandra Leal é simplesmente maravilhosa interpretando a Camila Lopes, uma personagem retirada de dois livros e alguns posts da Clara Averbuck. O roteiro é cheio de emoção, diálogos interessantes, sagacidade, e verdades mal resolvidas. Eu também amei a fotografia do filme, ar de cinema independente, sabe uau, então. Enfim, é um daqueles filmes que você anda na rua e vai lembrando as cenas, as falas, aquela músiquinha que tocou em tal momento, ou aquela expressão dos atores em uma cena engraçada ou dramática. That's all. 


"Eu vou sofrer por dias e noites de solidão, vou perder os brilhos dos meus olhos. Meu cabelo irá cair. Eu não vou conseguir mais dormir, meus dentes azedarão. Irão brotar varizes nas minhas pernas. Eu vou sentir ânsia de chão."  Camila Lopes.



sábado, março 05, 2011

(des) Ordem

Minha vida anda em desordem.
Procuro por ajuda, mas todos estão surdos.
Ou cegos.
Tento descobrir, lembrar, imaginar onde tudo isso começou.
Não consigo. Simplesmente.
Talvez essa desordem tenha sido gerada comigo, ainda sendo um feto, praticamente inexistente. 
Talvez ela estivesse lá, desenvolvendo-se junto a mim. Corpo a corpo. Sem que eu me desse conta.
Hoje, quero forças para mandá-la embora. Matá-la. 
Dizer que quem manda sou eu, com o tom mais imponente que eu consiga.
Porém, paro, penso. 
A verdade é que essa maldita desordem me completa, de fato.
Da-me vontade de ser;
De agir;
De mudar o que precisa ser deixado;
Ou de abandonar.
A outra verdade é que;
Eu sou ela.
E ela, eu. 

sexta-feira, março 04, 2011

Caso Mal Resolvido

Gosto do Silêncio;
O jeito dele interessa-me muito. Faz o tipo caladão, capricha tanto neste papel que as vezes a minha imaginação entrega-se à ele de corpo e alma. 
Tentei diversas formas de manter um diálogo entre nós, mas, como sempre, ele me ignora. O único resultado que tenho são os sons das minhas palavras espalhadas, dissipando-se ao vento.
Ele, o Sr Silêncio, não importa-se, dá de ombros e continua com seus afazeres; observa-me, transmite um olhar de interrogação e datilografa na sua velha máquina. Mata-me de curiosidade, afinal, o que ele tanto tem a escrever ao meu respeito? Deve depreciar-me a cada parágrafo. 
Quando descubro seus olhos em mim, é como se ele conhecesse a  minha alma, e tivesse o poder de agir sobre ela. O pior é que isso me deixa fascinada. Como ele consegue?! Se ao menos permitisse que seus lábios produzissem algum fonema impedindo as minhas palavras de vaguear.
Nunca me responde, apenas sinto o poder dos seus braços ao envolver-me, fazendo a sua alma gélida unir-se a minha... mais uma vez. 

quinta-feira, março 03, 2011

Ao Saudoso Vô Vito

O seu corpo expressava detalhadamente as marcas de um homem que não costumava lutar por sua própria vida. A infância daquela época ensinou-lhe a ser durão. Sem qualquer diploma ou dom invejável, aquele homem passou a vida adulta acreditando que os bichos combinados com números poderiam trazer-lhe sorte ou riqueza repentina. 
Era um sonhador, de fato, mas não fazia questão de alarmar. A maioria dos seus sonhos eram construídos através daquela velha janela, onde ele passava  horas observando a vida que esvaia-se aos poucos e levava consigo uma juventude. 
Eu fui crescendo, mas não me cansava de ir até sua casa visitá-lo, fazer um café, puxar uma cadeira e sentar na sala gastando longos e duradouros minutos conversando com ele sobre suas aventuras de menino, adorava quando ele trazia da memória o dia em que se apaixonou por minha avó. Sentíamos juntos a falta que ela nos fazia. 
Aquele senhor teimoso foi hospedar-se alguns dias na minha casa, eu gostei da ideia de tê-lo por perto a cada manhã. Pedia a sua bênção e ia à algum destino. 
Descobrimos que o seu corpo já não era tão forte, logo as doenças da sua idade começaram a desenvolver-se, maltratando sem piedade a vida do meu velho. Era domingo quando as dores começaram a ser excruciante. A sensação de incapacidade tomou conta de mim, ver uma das pessoas que eu mais amava sofrendo e eu não podia fazer nada. Falei com Deus, pedi que dissipasse todo o sofrimento que meu avô sentia, mas Ele não respondeu-me. 
Como se meu avô fosse uma criança, comecei a acariciar-lhes os cabelos, massagiando sua orelhas e comparando o tamanho de nossas mãos, tínhamos os mesmos dedos finos e compridos.
No dia seguinte, subitamente, levaram-o da minha vida, sem ao menos esperar que nos despedíssemos devidamente.
Nunca mais conversas ao fim de tarde, abraços de afago, nem tentativas frustradas de um passeio na praia.
Nunca mais em si.
Nunca mais em nós. 
Nunca mais Vovô. 


"Hey Thaís, traz um golinho de café pra mim, por favor. Não muito, só um golinho!"