sábado, dezembro 31, 2011

Dor com data marcada

As datas ainda doem
Os dias ainda deixam marcas irreversíveis
Não conseguir reverter esse quadro beira o desespero
De algo
Que parece nunca chegar ao fim
A sua solidão.
A tempestade batia a porta insistindo para entrar
Dentro de si
Batia um coração desesperado querendo apenas 
Ficar só.
As horas passaram levando consigo
Mais um gole de lágrimas
Mais caquinhos de um coração pequenino. 
Mais uma data.

domingo, dezembro 18, 2011

Nossa Dança

Te segurei entre os meus dedos tomando total domínio sobre a sua pele pálida. O lado negro que saia da sua boca quente e macia me fazia estremecer. Te puxei para dentro de mim, e por vezes seguidas te aprisionei.

Toquei a sua pele mais uma vez. Você se acolheu em mim, desta vez com mais força. Como forma de retribuir, você dançou com o vento, enquanto eu te olhava, embaraçava meus dedos no seu compasso e sorria.

Como um véu delicado o seu cheiro foi ficando em mim, impregnando-se, nos cabelos, na pele, na boca.
Te trouxe mais perto, e já no fim da nossa dança, você se apagou.
Mais um cigarro,

sábado, dezembro 17, 2011

Making of

A noite cálida e estrelada ilustrava a historia que iniciaria do fim, de finalidade. 
Incertezas sufocavam dentro de si, empurrando para um precipício. 
Tudo mostrava-se inanimado, mas carregado de cores e sons, apenas sem movimento.
Na sua mente rondavam fotografias de cenas que fizeram da sua vida uma paisagem manchada e desforme.
Tentou erguer a cabeça na tentativa de não pensar, mas falhou. 
Retrocedeu aos fantasmas que a puxavam para o abismo, criado por suas próprias mãos. 
Sua consciência cobrava-lhe satisfações de algo que por anos encontrava-se adormecido. 
A sangue frio, pulso e tristeza, machucou-se, dilacerou-se, violou-se, transpassou-se. 
Abriu em si uma ferida incurável, sem nome, sem volta. 
Todos os sofrimentos trazidos ao longo do (seu) tempo, foram concentrados ali. 
Doíam, latejavam, amaldiçoavam, negavam a si mesmos. 
Seu corpo apodrecia na medida em que respirava, buscando algum fôlego de vida. 
Era fétido viver. 
Enganou-se ao buscar-se em outras almas. Tentou ver, mas cegou-se com farpas que atingiram seus olhos num furtivo movimento de vingança. 
A dor cheirava a flores do campo, o medo tinha gosto doce e beirava o sabor da solidão. 
Com as mãos trêmulas, desejou apagar-se, ou simplesmente evaporar. 
As mesmas mãos que deram vida, necessitavam retroceder ao papel amassado, no lixo. 
  

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Só, de Solidão

As horas se arrastavam num movimento infernal. O silêncio tornou-se ruído. A gota d'agua jorrava da pia. Os passos pareciam estar mais perto a cada segundo, mas nunca chegavam. 
Sentou-se na velha poltrona da sala de estar, e esperou. Foi até a cozinha, pegou mais uma caneca de café fresco e voltou para acolher-se na poltrona. O vazio a preenchia, como de costume. Sozinha, sombria, enigmática, perturbada, confusa, medrosa, gélida. O silêncio da noite fria a convidava para dançar. Abriu os braços e entregou-se. A brisa a flor da pele, os cabelos misturavam-se com o vento num compasso incomum. O café, agora já gelado, assistia enciumado àquela dança. Colocou os pés no chão, abriu os olhos, percebeu que pegara no sono. A solidão voltou a abraçar-lhe novamente.

sábado, novembro 26, 2011

About a Girl

Brevemente encontrou-se perdida num pensamento absorto sobre o seu real significado nas vidas alheias. Ser para os outros nunca lhe incomodou. Não sabia administrar suas sensações, seus sentimentos, suas atitudes. Nunca soube conter-se quando sentia. Fazia, simplesmente. Compulsiva, incontrolável, dissimulada. Viviam avisando-o para ser cuidadosa, contida e coerente. Nunca se interessou. Não pule, não corra, espere, não chore, você vai se machucar. Ela nunca deu ouvidos. Aprendeu a levantar-se depois de um tombo, enxugar as lágrimas depois de um choro e beber agua para acalmar os soluços. Aprendeu, vivendo. Observadora, atenciosa, desconfiada. Acostumou-se a solidão. Aprendeu com o silencio que e preciso ouvir o que tem a ser dito. Mas ignorava quando a corrigiam ou lhe davam sermões. O seu nariz não era em , mas ela era brava. Não fazia um pingo de questão de possuir a inteligencia decorativa. Queria saber porque os passarinhos cantavam, se morava alguém na Lua, se olhar para o Sol cegava, se as pessoas a viam quando ela acenava para um avião nas alturas. Ela queria saber andar de bicicleta, nadar em alto mar como seu pai, estalar os dedos como sua mãe, ter uma letra tão bonita como a de sua irmã. Queria saber escrever bonitinho como as outras meninas da turma, queria ser compreendida quando falava de algum livro, filme, musica com seus colegas da mesma idade. Queria possuir essa sabedoria. Queria que a noite fosse mais longa do que o dia para ela poder viver mais com seu silencio noturno enquanto sussurrava segredos para as estrelas. Ela queria crescer depressa para poder caminhar sem hora para voltar. Seus olhos carregavam sinceridade, assim como suas palavras. Viver para ela consistia em fazer feliz. Sua felicidade não importava. Sua missão era cultivar sorrisos e fazer notar-se a beleza do imaterial. Sonhava acordada, falava sozinha, sorria. Ser começou a lhe pesar quando notou que as pessoas não queriam dela a felicidade. Ser começou a pesar-lhe quando abruptamente enxergou a realidade. 

terça-feira, novembro 01, 2011

Cinzas de Palavras

Lembro do dia em que escrevi pela primeira vez com caneta. Era um dia qualquer, até chegar o momento em que a professora fez a enorme surpresa de permitir que a turma tirasse suas canetinhas do estojo e começasse a treinar os primeiro traços com a maldita caneta azul. Preferi ficar apenas observando, inundada de um olhar desconfiado para aquela bendita caneta. A minha ligação com o lápis não poderia acabar daquela maneira. O cinza no papel é tão bonito. Apago e escrevo, sem rastros. As palavras tornam-se mais valiosas quando correm risco... de serem apagadas, por exemplo. Eu, fielmente permaneci audaciosa e não me deixei vencer por uma canetinha que chegou toda-toda, querendo subitamente tomar o lugar das minhas palavras acinzentadas. Cresci e ainda permaneço insistente, com os tons cinzas das minhas palavras, escritas a punho e, por algumas vezes, acidentalmente digitadas. Mas permaneço firme. Eu, papeis e cinzas.

quarta-feira, outubro 19, 2011

A Menina e o Balão I

Era uma menina com seu balão
Ambos viviam nas alturas
Um a um, balão e menina
Era um amor possível
A menina o preenchia com sua meninisse
O balão a presenteava com o céu. 

sábado, outubro 15, 2011

Vagas palavras

Cartas que transbordam de sentimentos incontidos por um coração revolto. 
Uma esperança de acalentamento.
Perdida, abrindo mão de reencontrar-se nas margens da hipócrita felicidade inconstante. 
Silencia-se.
Trôpega, pisando em falso nos clichês de moralidades impostos à uma moça. 
Ainda sendo, diverte-se com essas tais barreiras de exílio falsificado.
Plena.



terça-feira, outubro 11, 2011

Seu Moço do Lacinho

- Olá seu moço! Enquanto caminhava, um vento forte veio ao meu encontro e levou consigo o meu lacinho. O senhor o viu?
- Lacinho?! Ora bolas, onde já se viu, eu, homem com bigodes, haverei de preocupar-me com "lacinho" que foge da dona!
- Calma seu moço, o meu lacinho não faz mal a ninguém. Seu único trabalho é embelezar-me. Veja só o seu bigode, creio que faz-lhe favor semelhante. 
- Sim menina, o meu bigode faz a gentileza de disfarçar-me. Mas tu, que és uma garotinha tão graciosa, não há de precisar que um fitilho envolto nos cabelos adicione-lhe boniteza e cause-lhe preocupação. 
- Obrigada por graciosas palavras em relação a mim. Confesso seu moço que mamãe vive a alertar-me por possuir suposta beleza. *Dizem por aí que o belo afeta a alma das pessoas... Fico tão intrigada com isso, eu sempre me apaixono pela alma das pessoas. O externo sempre me engana.*
- Menininha, confesso que me perdi ao tentar ver sua alma. As suas palavras soam como graciosas farpas. Os seus olhos te revelam, também.
- Ora, não senhor! Não tens o direito de tirar um pedacinho dos meus olhos! Devolva-me! Meus olhos nada revelam-te, estás enganado... E a propósito, é feio espiar. Pare de olhar-me tentando ver-me!
- Desculpe-me menina, pensei que tivesse o direito de descobrir-te também, assim como você fez ao olhar-me e invadir-me com tua assustadora graciosidade... Ah sim! O seu lacinho esbarrou-se em mim e disse-me que era pequenino demais para envolver-te, então se foi.
- Ora seu moço, mas eu sou apenas uma menina!

terça-feira, agosto 23, 2011

Um dia novo

Na noite anterior decidi que a manhã que nascesse no dia seguinte seria diferente. Desliguei o celular da maneira mais definitiva possível: tirei a bateria e o deixei oco, completamente sem vida. Amanheceu, preguiçosamente inventei uma desculpa barata para não ir ao colégio e, fazendo esforço para não me importar com as consequência disso, voltei a dormir. Longos minutos depois, finalmente acordei, de uma vez por todas. Algumas horas após, resolvi ir ao encontro da minha caneca favorita, que até então encontra-se morta por um acidente equivocado da minha distração. Mas como eu já estava cansada de choramingar pela caneca quebrada, na esperança de encontrar uma exatamente igual, fui até a loja em que tinha comprado a minha caneca predileta, e eis que aconteceu o que eu previa: não tinha outra igual. Que aperto no coração eu senti, ela era realmente uma caneca especial. Obstinada, caminhei um pouco mais, entrei em algumas lojas e quase desistindo da procura por uma caneca singular... Achei a mais charmosa de todas! Tenho plena certeza de que ela estava lá somente para me seduzir, de tal maneira que me fizesse destinar o meu olhar inteiramente para ela, sem dar a mínima para as outras tantas que estavam ao seu redor. Ela conseguiu com êxito. Sem pestanejar, paguei e levei para casa a minha mais nova paixão e objeto de ciúmes. Bem, em breve postarei aqui uma foto da minha companheira de cafés. Sim, sim, definitivamente detesto chás. Enfim, passei a tarde inteirinha na companhia da minha charmosa e sedutora caneca, estudando e lendo. A noite chegou e fui para o maldito cursinho, até então. Como toda e boa novata, fui sentando no cantinho, caprichando na arte de ser imperceptível e silenciosa. De repente, a professora de Língua Portuguesa entra na sala e em alto e bom som me chama pelo nome. Era a minha ex-professora do fundamental. Maldita, maldita, maldita, me fazia ter dias de reviravolta e frio na barriga por consequência de suas aulas, quando eu simplesmente tinha medo de errar alguma pergunta sobre determinado assunto e provocar nela um desdém típico de tal. Com o coração aos pulos de nervosismo, acenei a contragosto e voltei para o mundo recém-construído no meu mais novo lugarejo. As horas passaram e já chegara o momento de voltar casa. A noite fria e silenciosa fez com que as pessoas se recolhessem mais cedo em suas casas quentinhas. Por um momento morri de inveja delas. Eu ainda tinha alguns muitos minutos para chegar até a minha casa. Entrei no ônibus, e como se fosse uma completa estranha, fui recebida por olhares inquisitivos. Achando aquilo esquisito, sentei em um lugar qualquer e observei aquelas pessoas. Eram todos bons amigos. A estranha ali era eu, somente. Aquelas pessoas eram apenas bons amigos que ao final de um dia árduo de trabalho, aproveitavam o humilde aconchego do ônibus para trocar algumas palavras e sorrisos, com o cansaço inevitável estampado em seus olhos. E eu estava ali, uma estranha que sentou-se numa cadeira aleatória observando pela janela o frio da noite levar consigo mais um dia. 

A playlist escolhida para essas palavras foi: Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain ~ Soundtrack, 2001

quarta-feira, agosto 17, 2011

Sidarta

Por alguns dias me permite esquecer de ti, querido blog. Peço humildemente desculpas aos meus leitores fieis, ao meu querido blog por tamanho descaso, e a cafeína, que além de nomear este blog e propiciar-me inspiração, é a total responsável pelas minhas palavras. Salve a Dona Cafeína!
Estava evitando a escrita por motivos de saúde mental, espiritual e física. Escrever exige força, e, apesar de bem jovem, o meu potinho de espinafre está acabando. Acordei tão cinza. Mais cinza do que as palavras que escrevi no meu bloquinho de notas pela manhã. Palavras secas e vazias. Sem pé nem cabeça. Acho -  vou avisando de antemão que a certeza não tem nenhum valor nesse texto -  que ouvi demais ao meu respeito, tanto que vomitei-me. Acho que causei-me tamanho reboliço que não suportei mais me carregar, então vomitei-me. Cansei. (Pausa, a playlist começou a tocar 'Mr. Tambourine Man'). Onde eu estava? Ah sim, na parte em que eu conto o que já deveria ter feito a muito tempo: cansar-me e refazer-me. Sabe aquele conto batidíssmo que professores contam na escola para dar uma injeção de ânimo nos alunos? Sim, aquele da águia que subiu no topo do monte para refazer-se. É um belo conto, devo admitir, mas não foi bem nele que pude tomar injeções de conclusões e auto-reflexão. As tomei com um dos personagens mais maravilhosos que já conheci nas linhas de um livro, um belo e mágico livro, por sinal. O nome desse fantástico personagem é Sidarta, que busca tão somente o encontro de si mesmo. O Átman.  (Pausa, a saudade visitou-me). Sidarta conseguiu ocupar todo o espaço entre meus livros de cabeceira. Preciso de injeções de Sidarta para começar o dia. Esse livro tem um significado especial, tão especial que tenho certeza que serei injusta se ousar descrevê-lo ou quantificar o seu valor para mim. Sempre preocupei-me com a relação possessiva que os livros poderiam causar-me, mas confesso que nunca temi, pelo contrário: eu queria absorvê-los por inteiro. Pode ser uma relação louca e afins, mas o que seria desse mundo vil sem as anormalidades? Pois então eu escolho gastar minutos da minha vida escrevendo e me preenchendo de cafeína enquanto meu coração pulsa acelerado por estar produzindo palavras, de loucuras ou sanidades sobre um livro.                                                                    "Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio". 


Anjinha, obrigada pelo livro. 

sexta-feira, agosto 12, 2011

!

Insônia, Insônia, Insônia, Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia, Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,  Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia,Insônia, Insônia, Insônia

domingo, agosto 07, 2011

Escrito de Promessas

Te escrevi no meu silêncio para você não precisar.
Nunca mais me abandonar.
Eu e o silêncio somos um só, então não te deixaremos.
Prometemos, entre soluços e pensamentos.
Que a nossa vida caberia numa casinha no campo.
Eu com meu tucano e você com seu toque manso.
Eu com minhas estranhas manias e você com toda sabedoria.
De me entender, de me abraçar, de ser comigo. Um só.
Te dei minhas mãozinhas e de tão pequeninhas você as aconchegou.
Prometemos, como duas crianças que fazem juras de amizade eterna,
Que a nossa vida na casinha de campo seria para sempre.
E que as sementinhas que plantamos em nossas vidas.
Cresceriam e delas brotaria a mais linda flor.
Ela seria metade seu toque manso.
E a outra metade o meu encanto.
Talvez sejamos tão frágeis à nós mesmos
Que prometemos entregar ao silêncio a nossa florzinha.
Então não nos deixaremos, prometemos e escrevemos
Nas linhas avulsas das nossas vidas.
Me reescrevi no meu silêncio para não precisar.
Nunca mais me abandonar.

terça-feira, agosto 02, 2011

Achados.

A fusão obscura entre o desejo e o senso, bom senso talvez, em que me perdi. Acho - já que não tenho mais certeza de nada - que me permiti estar perdida. Sinto falta de mim. Um dia acordei menina, preocupada com os meus cabelos desarrumados, e num outro dia acordei uma outra menina; preocupada com o potencial de malefícios que podia causar à si. Acho que estou crescendo. Percebi que minhas palavras estão maiores que minhas mãos e também não cabem mais na gaveta da escrivaninha. Acho que estou crescendo com elas. Lembro que antigamente as minhas palavrinhas de socorro eram escritas entre soluços e temperadas com gotículas de lágrimas incontidas. É bem verdade que sou uma descontrolada com as lágrimas. Talvez eu tenha aprendido que chorar faz bem, e tenha acreditado fielmente. Então eu choro. Sem vergonha, choro. Ultimamente minhas palavrinhas não são mais escritas entre soluços desesperados, mas sim entre uma bagunça desenfreada. Sou uma confusão. Sou um reboliço de palavras. Não tenho certeza se sou o que dizem que sou. Acho que escolhi ser menina, palavras, ventania, estações, cor, ações, e paixões. Acho. Somente, acho.  

sexta-feira, julho 29, 2011

Dia-a-dia.


Dores 
segurando a minha mão ao lado direito.
Goles de café 
ao lado esquerdo. 
E no meio, um vazio gélido. 

quarta-feira, junho 29, 2011

Palavras

Palavras se acumularam na minha garganta. Um enorme nó se formou me impedindo de respirar. Tentei de todas as maneiras fazer com que aquela terrível sensação saísse de mim o mais depressa possível. Com alguns copos d'água, tentei fazer com que as palavras voltassem para o meu organismo. Não adiantou, eram palavras teimosas. Continuaram empatando a minha respiração. Cada minuto que passava eu me encontrava mais debilitada. Tentei cuspir as tais palavras, mas além de teimosas, eram palavras pesadas, imponentes. Grandes palavras. A minha aflição só aumentava. Sem ninguém por perto, só eu e aquelas palavras, lutávamos uma contra a outra para conseguir a vitória. Um fôlego de vida apenas.  Fui persistente, não deixei que elas crescessem dentro de mim. Já de joelhos no chão e com as mãos pressionando a garganta forçando um vômito literal, fui cuspindo as palavras uma a uma. Fui tomada por uma série de vertigens. Assustei-me com tamanho poder que aquelas palavras causaram no meu ser, no meu corpo, chegando ao ponto de debilitado. Quase o desfalecendo. Senti pena de mim. Sei que fui a criadora de todas aquelas palavras dentro do meu eu. A culpa foi minha de tentar aprisioná-las, acumulando algo que eu não sabia usar. Com o tempo as palavras foram criando forças e traçaram um cominho que levava para o mundo que eu tanto temia que elas conhecessem, cujo lugar  eu as colhi. As palavras se cansaram de mim. Perceberam quão oca eu era. Elas precisavam se colorir. Unir-se a outras palavras, formando harmoniosas composições. Talvez poeminhas, carta de casais apaixonados, belos livros ou estrofes de uma canção. Elas sabiam que dentro de mim a escuridão do meu eu as impediriam. Então as vomitei. 


domingo, junho 26, 2011

Aleatória.

Aquilo que chamo de conciência, que me dá inocência.
Aquilo que guardo no peito, para cima e para baixo.
Vestida, descalça, nua. Que seja.
Tem que fazer parte, tem que ser em partes.
Me fazer tranquila, poesia, flor, ardor.
Ar. Dor.
Olhos que se fecham, encontram-se, deliram-se.
Aquilo que me dá vertigens, de medo, de prazer, de não saber.
O não saber, quem quer saber?
Prefiro-o. 
Vestida, descalça, nua. Que seja.
Aquilo que me aquieta, uma soneca,  migalhas de solidão.
Me faz menina, egoísta, de orgulhos e palavras.
Palavrões e palavrinhas.
Isso, aquilo,  alí.
Qualquer sussurro que me envolva.
Até o último fio de cabelo em pé.
Cenas de aquarela, sem tons de cinza, sem sujeito.  Só ela.
Aquilo que dá ânimo, preenche, e sente.
Ali, aqui, acolá. 
Sou um eu assim: aleatória. 

sexta-feira, maio 27, 2011

Divagar

Desloquei-me da confusão que reunia uma multidão de adeptos à desgraça alheia. Enquanto caminhava, alguém gritou meu nome perguntando aonde eu ia. Dei de ombros e apenas respondi em tom seco e sucinto: "alí".
É no meu "alí" que esqueço do tempo, refaço-me na solidão entre as palavras e gostos. Saio da multidão que me enclausura, sufoca, exige. Me canso. Grito. Xingo. Até quando?


eu com meus "alís" 
"Quando já não tinha espaço pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer acomodei
Minha dança os meus traços de chuva
E o que é estar em paz?"      Luís Kiari

terça-feira, maio 24, 2011

Ao Bob Dylan

Hoje é um dos dias que eu fico toda boba comemorando;  é o aniversário do Bob Dylan <3 (insira gritos e pulos de alegria aqui). Pois é, esse moço simpático de voz singular, me encanta há pouco mais de 4 anos. Foi paixão nas primeiras notas musicais. A verdade é que a minha felicidade por ele estar completando mais um ano de vida vai muito além do que uma histeria de uma fã. O Bob Dylan conquistou a minha admiração com a pureza e o grito de "até quando?" contido em suas canções, era o tempo cuja indústria fonográfica não respirava grandes sucessos melodramáticos. Ah como eu gostaria de viver naquela época! Sendo um dos cantores insubstituível na trilha sonora da minha vida, o Dylan hoje merece este post, neste singelo blog louco por sua autenticidade. Hey Mr Tambourine Man, muitos anos de vida! 



May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young  




Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.


So don't think twice, it's all right





quinta-feira, maio 19, 2011

Terceira Pessoa, Café e Chuva

Perdi a conta de quantas vezes subi e desci as escadas, andei por toda a casa, entre canecas de café e o frio na pele. Simplesmente não sei explicar, quantificar, expor, desenhar, falar o que você plantou em mim. Só escrevo. Perdoe a minha falta de criatividade, ela fugiu do meu domínio há dias. Perdi o sono também. Esse é um rebelde, não me obedece e faz pouco caso da minha necessidade em tê-lo. Faz visitas breves e logo se vai. Na verdade, acho que o nosso desgosto tornou-se mútuo. Que seja. 
Não sei falar de amor. Malmente sei cuidar de mim, quem dirá o que farei com sentimentos de alguém em minhas mãos. As palavras se embaraçam em minha garganta. Preciso vomitá-las ou sucumbirei. Então escrevo. Minha vida está abarrotada de páginas escritas sobre você, sobre alguém, sobre nós, sobre mim. A cada dia crio mais páginas, algumas me tiram o sono, outras rasgo e amasso. É a unica maneira que encontrei de esquecer. Mas por muitas vezes me encontrei revirando os papeis amassados para tentar resgatar algumas páginas. Algumas valiam a pena, outras voltaram pro lixo novamente. 
Egoísta, deixei, mais uma vez, a nossa verossimilhança esvair pelo ralo. 
Quero um dia poder quebrar esse escafandro que construí. Quero deixar sair a borboleta que nasceu trancafiada dentro dele. Prometo. 

segunda-feira, maio 16, 2011

Breve observação:

O amor é ainda insuficiência pois 
ele deseja qualquer coisa que não tem 
e ele deseja essa coisa porque 
ele precisa dessa coisa 
e se ele precisa de algo 
é porque ele é imperfeito.
       Sr. Platão. 



segunda-feira, maio 09, 2011

A Culpa é Toda Sua


Preciso me controlar.
Quero ser o seu benzinho a qualquer custo.
A culpa é completamente sua! Repito.
É o seu ser que me dilacera o juízo.
Extasia-me. Toma-me, e faz, e acontece. 
Só falta eu comer-te com os olhos!
A culpa é toda sua! Admita
Quieta-me. Deixa-me ser possuidora dos seus sonhos. 
Dos teus suspiros de prazer e euforia.
Prometo-te o meu eu fielmente.
Quero ser nós! Será que não entende?
Quero a te conjugar-me a via inteira. Mais que perfeitamente. 
Dê-me um sinal! 
Diga sim com o seu corpo feito simetricamente para mim. 
E assim, a culpa será nossa. 

domingo, maio 08, 2011

Vive, observa, descreve


Seus olhos eram inquisitivos e doces, tinha cabelos negros, pele clara e certezas. Sempre foi muito sozinha, mas sua imaginação nunca abandonou-a. Juntas eram princesas, heroínas, guardiãs e também vilãs, por que não?  Em seu diário ela anotava todos os sentimentos novos que lhe ocorriam. Não permitia que nenhum passasse despercebido. Escrevia observações para cada um deles.
Em letras enfáticas,  escreveu o seguinte para aquele sentimento que chamou de amor: MUITO CUIDADO, SEUS EFEITOS PODEM SER DANOSOS. Já o que  denominou de medo, foi apenas observado como "algo passageiro". 
Sentia-se pronta para recebê-los novamente. Os anos tinham passado, ela mudara, seu mundo tornou-se outro. Há tempos que não conseguia escrever sobre os sentimentos que descobria. Ficava aturdida com os julgamentos que a sociedade fazia sobre o amor, o medo, a liberdade e todas aquelas outras palavras que significam tanto para o seres-humanos. 
Simplesmente não entendia o porque de opinarem em seus atos, uma vez que essas pessoas eram como ela; humanos vulneráveis. 
Toda essa balbúrdia deixavam-a gradativamente indiferente. O ato de sentir passou à desnecessário. Talvez tenha sido contaminada pela sociedade que repugnava, ou exausta, tenha desistido.  

sexta-feira, abril 29, 2011

Visita

Um anjo visitou-me. Disse que eu poderia fazer-lhe um pedido. Teria que ser algo que estivesse fazendo muita falta em meus dias. 
Pensei, pensei e pensei. Finalmente, disse-lhe:
- Quero ser livre! Dá-me asas! 
O anjo assentiu, e pronunciou com sua voz eminente:
- Usa tuas asas com cuidado. Não deixe que tentem quebrá-las, e se tentarem, voe o mais alto que puder. Só não permita que as quebrem! 
Logo, um par de asas começou a brotar em minhas costas. Eram tão brancas quanto a neve. Fortes e imponentes.
O anjo estendeu-me um livro completamente puro. Todas as páginas em branco.
- Tome isto, servirá-lhe de proteção para os males que venham a assolar-te. 
Atônita, não entendi a finalidade daquilo. Foi quando o ser celestial esclareceu-me:
- Escreva neste livros todos os seus medos, guarde junto ao peito, pois com o passar do tempo, o seu coração irá apagá-los e escreverá um novo roteiro para a sua vida, ajudando-lhe a guiar as suas asas com sabedoria. 




quinta-feira, abril 28, 2011

Orgulho primitivo

Não dar o braço a torcer
Quebrá-lo de repente
Pedir uma mãozinha 
Admitir o erro
Ceder um sorriso
Sentir um abraço
Reconhecer as imperfeições 
Tomar algumas doses de juízo
Respirar fundo
Erguer a cabeça
Seguir em frente. 



*Se um dia eu pudesse ver

Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove

Chove, chove*


segunda-feira, abril 18, 2011

Humor, chuva e teclas.

Não tenho diário, mas sim um blog, então lá vamos nós. 


O dia não começou bem, acordei super atrasada, e logo me veio um mau humor súbito. Tomei um banho gelado, num dia gelado, catei mp3, mochila e chave, desci as escadas ao pulos para não perder o ônibus. Consegui pegá-lo, mas sentei ao lado de um infeliz que ouvia música no seu celular com o volume máximo. Eu, que já estava de mau humor, pensei em enfiar aquele celular goela abaixo do garoto e voltar pro meu lugar como se nada estivesse acontecido, mas calma, foi só um pensamento. Aumentei o volume do meu mp3, aí pude ouvir a voz do Dylan com mais precisão. Cheguei no colégio em silêncio, sem mais, e a Mi que me conhece muito bem, logo descobriu que o meu dia não havia começado nada bem. Tivemos duas aulas de Filosofia, que valeram muito apena, e conseguiram me tirar daquele tédio infortúnio. Revi alguns amigos, divagamos assuntos corriqueiros, e já satisfeita com aquela manhã, peguei o ônibus e voltei para casa. 
Tênis pra um lado, mochila pro outro, camisa na cabeceira. Joguei-me na cama. Querendo, fiquei pensando em alguns assuntos "pendentes" em minha vida, coisas que poderiam ser mais simples, outras que nem tanto, ou talvez seja eu que as complique. Bem, tentarei resolve-las em breve dias, prometi a mim mesma. 
Sem fome, resolvi assistir um, dos 5 filmes que tenho acumulados no pc, e para melhorar, começou a chover! A chuva fazendo barulhinho no telhado, o clima confortável, um bom filme, café e nada mais. Foram suficientes para mudar o meu estado para o melhor sossego. 
Agora já é noite, não sei o que fazer além de escrever. Então aqui está este post, um dia meu talvez. 

Quem garante
Que seguindo adiante eu possa enfim viver?
Sem me comparar
Sem entristecer
Sem tentar mudar
Sem poder entender.
Não dá.
Eu vou ter que sair pra poder voltar.                                                                                                                                                                                                                                                                     

Tiê - Perto e Distante

sábado, abril 16, 2011

E agora?

E agora vem você
Com esse jeito
Feito
Sob medida pra mim



segunda-feira, abril 11, 2011

Retalhos de acordes

Já que não te tenho por perto
Eu vou tomar um sorvete

Para alegrar o meu dia
Nesse lugar
A noite é tão linda
E eu vou ficar.
É bom ser menina
Na varanda, na varanda...


Já é tarde, vou me embora
Antes que eu perca a cabeça
E desista da demora em te esperar







Enquanto o sono é pouco e o sonho é bom
Eu entendo essa canção

Você que como um anjo ensina ao respirar
Desse jeito mansinho e halito doce
Entregue



Mas se não me levantar e escrever
De manhã não vou lembrar, eu sei.





O seguinte é este: Uma manhã de segunda feira, prevejo uma semana conturbada. Liguei o pc e comecei a ouvir a Tiê. Todas as músicas me pareceram muito boas, em cada acorde e palavras entoadas. Agradando-me então, resolvi fazer algo novo aqui no blog: juntei trechos de algumas músicas da Tiê e formei um texto, e não me importa a coerência. 

(baixe algumas canções da Tiê aqui)

sexta-feira, abril 08, 2011

Presente

O que ela tanto queria era um presente. 
Algo simples, sensível e que brilhasse de uma maneira ímpar.
Procurou tanto, quando finalmente encontrou. 
E o melhor, esse presente chama-lhe pelo nome. Da maneira que ela adora. 
Até compartilham sorrisos! E as vezes, se entendem com um pequeno gesto.
Quando se abraçam podem sentir as veias e artérias de ambos aquecendo-se. 
Agora, a unica preocupação dessa garota é que o tempo não passe tão depressa.
E que os dias futuros não sejam indiferentes. 
            



Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder and the rain
To quietly pass me by 
Ohh! Sweet child o' mine

sábado, abril 02, 2011

Clean

Os cílios funcionam como enormes barreiras de contenção para aquelas lágrimas que insistem e persistem em descer por seus olhos, deixando um rastro na sua face. Tal rastro que com o passar do tempo, vai amadurecendo o pomo da certeza que há dentro do ser, logo, aquelas lágrimas que costumavam doer e deixar marcas quando emanavam dos olhos, naturalmente, tornaram-se necessárias para limpar a alma das dores que as palavras não conseguiam expulsar. 
Acredito que, os anos nos tornam mais fortes. E as vezes, imortais.  




domingo, março 27, 2011

Hoje


Todas aquelas palavras que você costumava me dizer com um sorriso
Hoje
Tornaram-se apenas borrões escritos. 
Nada que possamos reconstruir como era fielmente
Hoje
Um abismo separou nossas almas e corpos.
Todas aquelas promessas
Tornaram-se apenas gotas de chuva 
Que a vida tratou de levar.

sexta-feira, março 25, 2011

Favorito #2

A música: Quase Sem Querer
A cantora: Maria Gadú  (a versão original é da Legião Urbana)
E por que? A cada estrofe eu consegui encontrar o que senti, e estou sentindo ultimamente. Fico horas com o papo pra cima, deitada na minha cama, sozinha. Apenas eu, essa música, e meus milhões de sonhos. Assim mesmo, quase sem querer. 


Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer

Que eu quero o mesmo que você.