domingo, julho 01, 2012

De uma vez, por todas

Cuidadosamente escolhi as músicas que me davam arrepios,
que me remetiam às lembranças.
Se era para chorar, que fosse de uma vez.
Chorar até doer. Doer até a dor, mercê.
A cada música uma lembrança, uma saudade, um dia, um alguém.
Então aqui estou, cheia de dores, que latejam e dilaceram.
Se é para chorar, que seja de uma vez.
Chorar até dormir. Dormir, dor em mim.
As músicas enchem o meu quarto com melodias,
 que outrora preencheram outros ares, lares, lugares.
Agora, aprisiono-as na solidão que me nina para não sentir tanto as feridas, que não consigo cicatrizar.
Gritar, chorar, dormir. Loucura, desespero, paliativo.
Se for, que seja. De uma vez.

domingo, junho 03, 2012

Olhar Intruso

A casa, agora, estranha, o lar, já não é mais doce.
Há um deslocamento que bate a porta,
E que estende a mão para a saída.
Não pertenço mais a este ou aquele lugar.
Estranho é olhar para os cômodos e sentir-se uma intrusa qualquer,
Espiando através da fechadura os movimentos, os sons, ruídos. 
O cheiro, as manhãs, os olhos. Distorcidos.
Tecidos estão hábitos/habitantes que me parecem estranhos,
Por um momento.
Será que fugi para tão longe assim?
O vento soprou forte demais,
Quando percebi meus pés estavam longe do chão.
Eu sabia, não voltaria,
Ao mesmo lar, olhos, manhãs.

quarta-feira, abril 25, 2012

Aqui estou e estarei

São soluços inquietos os que pausam na minha garganta,
E adormecem com a minha fraqueza.
Lutar contra as minhas deficiências tem se tornado uma luta diária.
Procuro em mim mesma forças para vencer.
Sou inimiga do meu eu.
Tenho engolido lágrimas, ao ponto de sentir minhas veias cheias.
Às vezes ocorrem vazamentos.
Enxugo tudo, limpo a bagunça.
E quase sem forças, escrevo.
Não posso me deixar morrer.
Então escrevo.
Aqui estarei sempre que sentir minhas veias cheias novamente.

sábado, março 03, 2012

Entardecer de Brisa

A brisa das horas levavam para longe os vestígios do dia, dos dias que se acumularam em um só.
Na solidão do mar, a beira mar de uma tarde devidamente escolhida, seus olhos fitavam o azul que se fundia em nuvens e ondas com necessidade de fazer parte da mescla entre imensidão e soberania.
Simplesmente, abrir os braços e afagar as ondas no peito. E num sopro tornar-se brisa.
O Sol já deixava na areia sua marca de despedida. As sombras iniciavam na areia a pintura de um entardecer que se vestia para dormir.
Hora de sacudir a areia do vestido, molhar os pés numa gota de oceano e despedir-se.


quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Passionalismo Intrínseco

Era repulsa o que eu sentia ao te ter nas mãos. O mesmo sentimento que atormentava os meus pensamentos onde você, ou melhor, vocês se faziam presente. Os dias se alongavam quando eu  decidia dar toda a minha atenção a você. E mais uma vez te ter nas mãos. Dormir ao seu lado, sem ao menos notar que caíra no sono. O café devidamente pronto, o quarto, o canto, devidamente arrumados a nos esperar. E eu pronta para te devorar. Cada parte, a cada mudança de clima, tempo e lugar. Estávamos sempre ligados. Um a um, incondicionalmente pertencentes ao outro. E te ter nas mãos mais um vez. Tudo que eu desejo é apenas sentir o cheiro do tempo que tu carregas. Desejo sentar contigo no entardecer eterno e me perder nas tuas linhas e entrelinhas. Por quanto tempo terei que aguentar você chegar até a mim sem avisar? Cruzas o meu caminho e me envolve, me mortifica  na sua teia de símbolos e inquietações viscerais de pensamentos. Aceito a condição de definhar ao teu lado, nas tuas palavras borradas, desgastadas pelo tempo e manuseadas por centenas de pessoas que desconheço. Porque me deixei apaixonar-se por você, ou melhor, por vocêsLivros de palavras, o que queres de mim, afinal?